Segurança tem tudo para ser um dos assuntos que estarão mais em alta no Brasil em 2026. O tema deve ditar o ritmo das campanhas eleitorais e ser território de disputa em busca de votos. Entretanto, duas palavras precisam permear todo o debate, seja no setor público ou privado, para avançarmos no combate às altas taxas de criminalidade: integração e inteligência.
Quando falamos em segurança pública, para enfrentar as grandes facções que atualmente agem em todo o território nacional, precisamos de polícias (municipais, estaduais e federal) trabalhando junto, criando estratégias e ações que possam atingir, de fato, o sistema financeiro que é o coração dessas organizações criminosas.
Além disso, com um banco de dados geral para ser usado pelo setor de inteligência e investigação do Estado, podemos coibir ações e desmantelar os esquemas onde elas atuam. Sabemos já que os tentáculos do crime estão também infiltrados em segmentos legalizados da economia e, tendo em vista essa situação, é necessário asfixiar e prender os interlocutores dessas facções. Somente de uma forma planejada e articulada conseguiremos fazer frente a essa pandemia criminosa que corrói a nossa sociedade há tantos anos.
Quando migramos para o setor particular, as palavras ganham um outro significado, mas não mudam. Com o desenvolvimento acelerado da inteligência artificial, as empresas de segurança eletrônica estão apostando cada vez mais em sistemas que possam gerir de forma integrada todas as tecnologias que operam os equipamentos de controle de acesso que um local possa contar, como catracas, cancelas, portões e portas automáticas, com todos esses dispositivos falando a “mesma língua”. A tendência é a de que os softwares por trás dos hardwares se tornem cada vez mais sofisticados, personalizados e inteligentes.
Um espaço poderá coordenar todas as suas salas de maneira personalizada, por exemplo, podendo liberar a entrada de uma pessoa em um local específico do prédio. Essa inteligência também facilitará para reconhecer criminosos fichados, caso possam acessar um banco de dados da polícia. Segurança privada e pública trabalhando juntas em prol de um país menos violento.
Mas, para fortalecer ainda mais o combate ao crime, precisamos da ajuda do legislativo na aprovação de leis mais duras e atualizadas, que sirvam também para inibir a sensação de impunidade e mudar o quadro atual, no qual contamos com uma Justiça permissiva nos julgamentos dos casos. Somente com todos (poderes executivo, legislativo, judiciário e a população) remando para o mesmo lado, conseguiremos começar a ter sucesso, de fato, contra a criminalidade. Integrar a sociedade e utilizar a inteligência humana e tecnologia para estancar a sangria que o crime causa diariamente é o único caminho para que, ao final de 2026, possamos ver uma luz maior no fim do túnel em que estamos.
** Marco Antônio Barbosa é especialista em segurança e diretor da CAME do Brasil. Possui mestrado em administração de empresas, MBA em finanças e diversas pós-graduações nas áreas de marketing e negócios.
